CARRO: PATRIMONIO OU BEM DE CONSUMO

Que o brasileiro é apaixonado por carro todos nós sabemos, porém, nem todos sabem o quanto custa mantê-lo durante o ano.

Essa paixão pode ser medida pelo número de carros produzidos no Brasil, que ultrapassou mais de 2,4 milhões de unidades ficando em 7º lugar no ranking mundial de veículos em 2015 segundo os dados da Jato Dynamics, consultoria especializada no setor automotivo. Chegamos a ser o 4º maior mercado do mundo em 2013, mas em função da crise, recuamos 3 posições no ranking mundial.

Muito mais que simplesmente colocar combustível no automóvel e sair guiando pelos quatro cantos é preciso fazer as devidas contas para que o sonho de ter um carro não se transforme em um pesadelo em seu orçamento. É necessário avaliar outras despesas que somente são percebidas quando o veículo já está na garagem do comprador, como por exemplo: o Seguro Anual, o Seguro Obrigatório, os impostos como o IPVA, a Inspeção Veicular, as multas de trânsito, os pedágios, estacionamentos avulsos ou mensais, manutenções preventivas, os reparos de urgência, sem dizer a depreciação do automóvel e outro item que nunca é levado em consideração que é o Custo de Oportunidade.

Para quem desconhece o que seja o Custo de Oportunidade ele nada mais é que o “preço do dinheiro” onde avalia-se o uso alternativo do mesmo, ou seja, ao invés de deixar os recursos financeiros aplicados em uma Caderneta de Poupança, por exemplo, cujos juros são de aproximadamente 0,5% ao mês (0,5% + TR) ou numa aplicação que pague ao menos 80% do CDI o consumidor opta por adquirir o automóvel e deixa de receber juros sobre sua escolha, significando que não receberá mais os dividendos provenientes do dinheiro que trabalhava a seu favor.

Os custos relativos a documentação e emplacamento para registro de um carro novo não podem ser desprezados, já que podem chegar a R$1.400 sem dizer que ao retirar o carro da concessionária você jamais venderá, 5 minutos depois, para o seu melhor amigo pelo mesmo preço que comprou, logo, no mínimo esse ajuste no preço pós-venda pode chegar a 10% menos do valor de aquisição.

Com relação ao financiamento e devolução do bem, muitas pessoas acreditam que basta entregá-lo a financeira e a dívida é “perdoada”. No entanto, esse perdão, sim, tem um preço que é diferença entre o valor do bem arrematado em leilão e as suas despesas administrativas como, por exemplo, os honorários do leiloeiro, sendo que ao final disso tudo o consumidor pode ficar sem carro e ainda com a dívida resultante deste pregão.

Quanto à depreciação, segundo especialistas o carro sofre uma maior desvalorização no seu primeiro ano, entre 15% e 30%, e se reduz gradualmente, estabilizando a partir do 4º. ano em 10%. No momento da venda outros fatores são levados em consideração além da depreciação como a kilometragem, o estado do veículo, se é o único dono, se é um carro de passeio ou serviço e até a cor do carro pode influenciar no momento da revenda.  A troca por veículos numa concessionária da própria marca pode ser uma alternativa para não perder mais dinheiro.

Vejamos o gasto médio de um automóvel zero Km, com apenas 1 ano de uso no valor de R$30.000,00

 

Despesas Mensal (R$) Anual (R$)
Seguro Anual (5% ao ano) 125 1.500
IPVA (4% ao ano) 100 1.200
Estacionamento 50 600
Manutenção 125 1.500
Depreciação Prevista (10% ao ano) 250 3.000
Custo de oportunidade (6% ao ano) 150* 1.800
Multas e eventualidades Podem ou não ocorrerem Podem ou não ocorrerem
Total 800 9.600,00

 

Diante dos números acima, cabe a cada um de nós avaliarmos se dentro do nosso Planejamento Financeiro é adequado caber mais essa despesa mensal e se essa é a hora de adquirir esse bem de consumo, que já chegou a ser na década de 80, considerado investimento. Portanto, avalie com calma se, ao invés, de lançar mão de mais uma despesa, não valeria a pena investir no seu conhecimento, na sua formação acadêmica e porque não dizer na sua Educação Financeira, além de buscar uma renda extra que possa proporcionar um Orçamento Doméstico adequado a sua aquisição. Pense nisso e boas escolhas!

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